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Diário de Bordo de uma navegada de Foz do Iguaçu até Buenos Aires em 2004 no "Paraty-Mirim", um pequeno barco de madeira de seis metros com um motor de centro a diesel de 5 HP. Construído por Jorge Pascal Badia Urell, antes havia navegado de Barra Bonita-SP até Foz do Iguaçu, pelos rios Tietê e suas nove eclusas e o rio Paraná. A velocidade foi de cerca de 8 Km/h mais 5 Km/h da corrente, 80 a 100 Km por dia. |
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30.01.2004 – Cheguei a Iguaçu e foram dois dias de limpeza do barco, que ficara por oito meses no Iate Clube Lago de Itaipu. Parecia não acabar nunca, com muitas interrupções para conversar com os sócios do clube que, final de semana, interessavam-se por aquele barco diferente, seus navegantes e seus planos. |
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04.02.2004 – De manhã o
Florêncio, Diretor de Náutica do Iate Clube Lago de
Itaipu, gentilmente levou-nos de carreta para o Iate Clube
Cataratas, pois não há eclusa para descer a represa de Itaipu, só
planos de construir uma. Chegando, fomos direto para a rampa íngreme
e o “Paraty Mirim” novamente flutuou no Rio Paraná. São apenas 5 km
até Puerto Iguazu, Argentina. Desce-se uns 4 km o Paraná, até o
marco das Três Fronteiras, quando o Rio Uruguai desemboca no Paraná
fazendo um T : Brasil de um lado do rio Uruguai, Argentina do outro,
e o Paraguai do outro lado do Rio Paraná. Entramos no Rio Uruguai,
já avistando a cidade. Quase nenhuma correnteza no mesmo rio que
pouco acima apresenta as famosas Cataratas, depois de nascer perto
de Curitiba e serpentear até a foz no grande Rio Paraná. Atracamos e
logo vem o oficial da ‘Prefectura Naval Argentina’, uma espécie de
guarda costeira que controla e acompanha as navegações no país, como
num plano de vôo. Mas nosso contato inicial não foi muito feliz : a
partir de leve irregularidade na habilitação do Badia,
mais um mal entendido de diferenças de classificações entre as
marinhas dos dois países do que algo grave, tivemos que ficar em
Puerto Iguazu por dois dias, com duas idas de ônibus ao Brasil, onde
facilmente conseguíamos , na Capitania Fluvial do Paraná, cartas que
tudo explicavam em nosso auxílio. Mas tudo era estranhamente lido
sob olhar restritivo, dava a impressão de que havia uma
‘operação-padrão’ por lá. No terceiro dia nos deixaram partir. A
explicação - afinal - foi um arrocho que o comandante, de férias em Santa Catarina
no ano anterior, havia
levado de uns policiais por lá, como contou.
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05.02.2004 – Antes da
partida, observamos a linda vista que o posto oferecia do Paraná,
a uns 30 metros acima do rio. E nos impressionamos com a narração do
mesmo soldado simpático sobre o nível que as águas atingiram na
enchente de 1991. Lá no alto fotografamos o alicerce suspenso de
onde costumava ser o posto, que a água levou na enchente ! Outro
fato interessante, de que já havia tido a impressão no lago de
Itaipu, era que parecia que havia maré na água. Os movimentos de
abrir e fechar comportas da gigantesca Itaipu alteram o nível do
Paraná a toda a hora. Os argentinos das margens ficam culpando
Itaipu pelos cuidados que tem que ter para não encontrar os barcos
no seco na manhã seguinte. |
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06.02.2004 – Que turismo
agradável e diferente mergulharmos em ‘pueblos’ do interior, gastar
algum dinheiro, comermos um inigualável churrasco argentino, mas
logo voltarmos para nosso lúdico convívio principal com a Mãe
Natureza na nossa especial ‘expedição’. Navegamos o dia inteiro tudo
observando, pouco de “civilização”, às vezes uma instalação de
carregar grãos em chatas, nos dois lados, às vezes umas fazendas no
lado do Paraguai. Os ‘rebojos’ quase sempre na superfície do rio.
Passávamos por regiões em que existem muitas prainhas de areias
claras. Com o sol forte, as paradas para um banho de rio eram a
glória. |
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07.02.2004 – Acordamos cedo e
nos defrontamos com a costa paraguaia iluminada pelo sol, a nossa
nas sombras, toda a superfície de Sua Majestade o muy guapo y nobre
Rio Paraná coberta de brumas de evaporação, uma visão de arrepiar.
Fotografamos mas as fotos não conseguem mostrar o show daquela
manhã. |
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14.04.2004 - POSADAS-AR - Cheguei
ao Camping Municipal de Posadas, onde o Badia me esperava para a
continuação da navegada. Em fevereiro havíamos deixado o
"Paraty Mirim" em Puerto Mani e o Badia o havia trazido
a Posadas, a capital da Província de Misiones. Como todas ao
longo do rio, Posadas tem uma linda “costanera” à beira do
rio, esta novinha e construída pela binacional Yacireta como
compensação pelos prejuízos causados pelo lago da represa. |
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16.04.2004 - POSADAS - GARAPE - Saímos cedo para a continuação deste terceiro trecho da viagem. Navegação tranqüila no inicio do lago da represa de Yacireta (binacional Argentina-Paraguai), mas as cartas não nos serviam no lago por terem 30 anos de idade, quando nem se pensava em construir a represa e alagar o Paraná naquela parte. À tarde fez bastante calor, quando nos dirigíamos para um Puerto Garape, escolhido aleatoriamente a partir da distância que estimávamos navegar em um dia. Garape veio a revelar-se uma escala completamente inútil na navegação, pois está hoje no fundo de uma grande enseada, ou curva na costa do lago de Yacireta. Além deste atraso de quase um dia em comparação com se tivéssemos nos dirigido direto à eclusa, em Puerto Garape vivemos o maior incidente na navegada até hoje : após dificuldades em sua localização pelas alterações nas cartas náuticas, chegamos pelas 17 horas em uma prainha de uns 200 metros, rasa e cristalina, sem ninguém. Amarramos o barco de proa na praia e ancorado na popa e subimos para o posto da Prefectura Naval. Anoiteceu e, enquanto tomávamos banho, começou a ventar e descemos para praia preocupados com o barco. Começavam emoções fortes na viagem : na mais completa escuridão, o "Paraty Mirim" balançava entre altas ondas e os galhos de árvores na beira da praia. Entramos na água e passamos mais de 40 minutos tentando puxa-lo mais para o fundo e amarra-lo a troncos, tudo em vão. O carro da Prefectura iluminou-nos por um tempo mas retirou-se logo com sua bateria fraca. Exaustos naquela luta sem sucesso na mais completa escuridão e assistindo as ondas altas batendo-lhe na popa, decidimos deixa-lo alagar-se por falta de melhor opção, ao mesmo tempo evitando que viesse a ficar batendo com o casco no fundo raso e arenoso. Decisão difícil mas necessária, salvar o barco e molhar tudo o que se tinha a bordo, motor, roupas, documentos, câmeras, tudo. Enquanto lutávamos contra as ondas de mais de um metro apareceu uma lanterna na mão de alguém na praia : era o garoto Lucas, que ajudou-nos no que pode e lembrou-nos, ao fim, de amarrarmos tudo para que não sumissem à deriva no rio. Esta providência, que no cansaço poderia ter nos escapado, garantiu um dia seguinte sem maiores perdas. Extenuados, dormimos num quartinho com mosquitos do posto da Prefectura Naval, sem que nenhum de seus quatro ou cinco soldados ao menos demonstrassem interesse pelo incidente que nos havia ocorrido, além de não terem auxiliado em nada. Parece que a TV a cabo e o chimarrão estavam melhores do que alguma solidariedade, dever da própria razão de ser de sua instituição, ou ancestral cultura náutica de apoio e socorro. |
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17.04.2004 - GARAPE - Cedo de manhã, muito a fazer. O barco totalmente alagado na prainha agora tranqüila. Faze-lo flutuar novamente foi a tarefa mais fácil : dois baldes e alguns minutos. A seguir foram 6 horas de trabalho extenuante e triste, o Badia principalmente "secando" o motor, tirando a água do tanque de combustível e do carter de óleo lubrificante. Depois de transportarmos tudo o que havia a bordo para a praia, fiquei o dia inteiro tentando secar tudo num dia nublado com sol apenas eventual. A tarefa incluiu ficar constatando o nível dos estragos, das roupas que só precisavam secar aos documentos bastante danificados, câmeras molhadas, etc. E espalhar pelo campo a centena de cartas náuticas. À noite ainda tivemos que armar as 3 barracas para secarem. |
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18.04.2004 – GARAPE- ITUZAINGO - Zarpamos cedo
com destino à eclusa de Yacireta. Tudo ainda úmido, levaria
ainda uns três dias até secar. Uns sete dias para secarem livros
e cadernos ! Após 30 minutos de navegação verificamos o óleo
lubrificante e estava cinzento, sinal de água ainda presente.
Trocamos por óleo novo ainda duas vezes para isenta-lo de água.
E como o estoque havia acabado, retornamos a um empurrador de
chatas parado nas imediações. Deram-nos um balde de óleo, e
soubemos que o carter de cada um dos quatro motores do empurrador
leva mais de mil litros de óleo ! Continuamos a viagem, o Badia
acompanhando o motor e eu dando uma de “Maria” com o barco
parecendo um grande varal. No final da tarde, já avistando a
longa represa, assistimos a um belíssimo show de natureza e
nuvens, com direito a arco íris. |
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19.04.2004 – ITUZAINGO - Passamos o
dia na internet e consertando uma conexão do rádio. Encontramos
o Tincho, que o Badia já conhecia de Posadas. Deu-nos algumas
dicas sobre a navegação nos trechos a seguir e mostrou-nos um
velho navio enferrujado no porto : era um dos que puxavam os
barcos e navios por quilômetros na forte correnteza naquela parte
do Paraná, antes da construção da represa de Yacireta. Possuía
possantes motores elétricos para mover os longos cabos de aço.
Visitamos também sua draga de areia. |
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20.04.2004 - ITUZAINGO - ITA IBATÉ -
Antes de zarpar, voltamos à internet e o Badia enviou à revista
uma mensagem de desagravo ao Júnior, que veio a ser publicada na
edição seguinte. O Júnior é nosso amigo de Parati há muitos
anos e acompanhou o Badia em viagens de veleiro pela costa do
Brasil, pessoa honesta e competente como mecânico e proprietário
de uma marina construída com seus próprios esforços. |
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21.04.2004 – ITA IBATÉ - PUERTO ABRÁ
– Com poucos cigarros e o uísque para esquentar os corpos, o
mapa indicava uma cidadezinha no Paraguai chamada Cerrito.
Resolvemos fazer as compras lá, no que seria nossa única
atracagem no Paraguai. Não conseguimos: brincamos que a cidade
devia ser Shan Gri Lá, pois desistimos depois de lutarmos com
bancos de areia por quase uma hora num rio todo cristalino,
avistando algumas antenas atrás de algumas ilhas e tendo até que
sair do barco por vezes, para ajuda-lo a safar-se dos bancos
rasos. Avistamos um povoado no lado argentino, desistimos de Shan
Gri Lá e fomos fazer as compras lá. |
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22.04.2004 – PUERTO ABRÁ - ITATI –
Saímos continuando pelo lindo riacho, mas ao voltar para o Paraná o dia
estava bastante ventoso, com grandes ondas ao sair da proteção do
riacho. Insistimos no nosso rumo mas o ângulo das ondas nos fez
optar por rumarmos para a costa paraguaia para pegar a proteção do
vento nas margens ou aguardar que o vento acalmasse. Estive ao leme
por quase duas horas na travessia, com o “Paraty Mirim”
comportando-se admiravelmente no “mar bravio”, mas com ondas tão
altas que demandavam-me extrema atenção para pegá-las de perfeita
proa. Qualquer desvio poderia ser perigoso. Ancoramos o barco numa
calma e linda praia numa ilha paraguaia. Fizemos um nescafé e
fotografamos o barco compondo com uma estética galhada na praia,
dando um tempo para que se aplacasse a fúria das ondas
no lado argentino. Cruzamos de volta e seguimos a
navegação. |
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23.04.2004 – ITATI - CAMPING – A
cidade nos fazia querer deixa-la o quanto antes, mas o motor do
barco não pegou de manhã. O problema parecia ser no bico injetor,
decorrências do alagamento de Garape. Na Prefectura nos indicaram
um mecânico de “gasolero”, como chamam os motores a Diesel, e
encontramos o Sr. Juan Carlos Henhammer. Aposentado de arrozeira,
entendia bastante de motores Diesel. A oficina, ao lado da casa, era
desorganizada do tipo muy exótica : ferramentas e restos de motores
e peças por todo lado, carros e tratores velhos convivendo com as
plantas que os invadiam. Conversando com ele e alguns de seus amigos
ficamos ali acompanhando a limpeza do bico injetor. Tudo pronto,
insistiu em acompanhar-nos ao barco para conferir se funcionaria. Não
funcionou, então era a bomba. Mais algumas horas conversando e
assistindo à sua carinhosa paciência em lidar com peças
entravadas (acho que eu teria dado uma porrada de martelo para
libera-la, provavelmente quebrando-a e travando toda a viagem até
obter uma bomba de reposição).
Voltamos ao barco, que agora pegou de primeira, o motor com
um barulho de quem gostou do amor com que foi tratado. O Sr. Juan
Carlos Henhammer não nos cobrou nada por tantas horas para os
consertos, tirei uma foto dele no barco e no
final do dia zarpamos daquela cidade estranha, encantados pela linda
pessoa que lá tínhamos conhecido. |
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24.04.2004 - CAMPING - CORRIENTES –
Zarpamos tarde, desvantagem das barracas, que não gostam de serem
dobradas sujas ou molhadas. Até Corrientes, capital da província
do mesmo nome, passaríamos por uma Paso de la Pátria, também
referência à guerra do Paraguai. Cidade balneário, bonita e
arborizada, comemos um churrasco, compramos óleo diesel e uma
garrafa de VAT69, uma promoção ao longo do rio, sempre diminuindo
de R$ 19,00 a R$ 15,00, e seguimos viagem. |
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25.04.2004 – Domingo – CORRIENTES
– Passamos o dia na cidade, a manhã no clube. O
motor demorava a pegar, após funcionar suave depois dos tratos do
Senhor Juan Carlos Henhammer. Uma conferência no ponto de ignição
resolveu. Pegou de primeira. |
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26.04.2004 - CORRIENTES -
EMPEDRADO – Zarpamos em direção à cidade de Empedrado, a 75
quilômetros, passando sob a ponte de Corrientes, bonita, igual à de
Posadas, e ao longo da “costanera”, parque à beira rio que notamos
em todas as cidades costeira, linda tradição que raramente ocorre no
Brasil. |
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27.04.2004 - EMPEDRADO - BELLA VISTA
– Dia todo de navegação tranqüila. O porto de Bella Vista era
apenas um concretão alto e atracamos na prainha ao lado. Fomos
recebidos por três crianças de tipo índio e pobre, que tentavam
“ajudar-nos”. O Steban falava e eu não entendia. A principio
pensei que era o espanhol enrolado que os descendentes de índios
falavam e tínhamos dificuldades de entender, mas logo saquei que
ele falava guarani. Então brinquei que se continuasse falando
guarani comigo eu ia responder em português. Ele começou a falar
espanhol. As crianças guaranis são todas muito bonitas, ao menos
as guaranis charruas, da região. E tinham nomes também bonitos :
Steban, Olga e Sebastian. |
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28.04.2004 – BELLA VISTA - GOYA – O dia foi outonal de um azul lindíssimo, mas um tanto frio durante todo o dia. Naquela região havíamos começado a ver barcos de transportar gado entre as pastagens, todos gradeados à volta. A cidade fica ao longo do riacho do mesmo nome e nossa chegada foi abanando pra todo mundo na margem. No porto, uma bonita praça da cidade, notamos que no dia seguinte começaria uma “Fiesta Anual del Surubi”, um concurso de pesca do peixe, que apesar de enorme é do tipo do bagre, com pele e muito gorduroso. Também dá muito nos rios do Brasil. O arraial de praxe já estava montado na praça. Havíamos planejado passar o dia seguinte em Goya, o que acabamos por fazer só porque choveu o dia inteiro. A cidade era relativamente grande mas sem beleza além do porto, com um número incrível de carros, motos e bicicletas. Já estávamos desacostumados com o movimento e o ruído de tantos veículos. Passamos a primeira noite num hotel ruim do centro e no dia seguinte mudamos para um melhor perto do porto. |
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30.04.2004 – GOYA - PERDIDOS ! –
Com informações do guarda Ábaco de arroios e riachos a percorrer,
fora do leito principal do rio, saímos cedo em direção à cidade
de Esquina. Atalharíamos pelo arroio Garapo, riacho Nanganuy e o
riacho Caraguatay, chegando a um braço do Paraná e entrando
novamente em outro arroio, sem nome na carta, que nos levaria ao
riacho Naranjal, quase um braço do Paraná. |
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01.05.2004 – Ainda PERDIDOS – Iniciamos uma exploração da lagoa, que tinha correnteza e, em tese, devia levar-nos ao Paraná, o desaguadouro natural da região. Mas logo notamos que eram muitas lagoas interligadas, um labirinto. As correntezas tentadas só nos levavam a aguapés fechando. Passamos o dia inteiro navegando naquele labirinto, cada vez mais desanimados. Em pé na proa para ver mais longe, apenas víamos aqui e ali algumas vacas, nem sobra de gente. Ao final da tarde, encontramos uma lanchinha com um guia e dois turistas pescadores, um italiano. Não era possível explicar-nos o caminho no labirinto e já estava tarde. Combinamos segui-los ao seu povoado e no dia seguinte o guia nos levaria ao caminho para o nosso rio Paraná. O lugar tinha poucas casas, perto de uma fazenda de plantação de tabaco. Acampamos no quintal da casa da família do guia, simpáticos mas muito humildes, todos analfabetos. |
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02.05.2004 – Domingo – Encontro com o
Paraná – ESQUINA – Cedo, rebocamos a lanchinha do guia por mais
de uma hora até a saída das lagoas. Deixou-nos num córrego que os
aguapés deixavam apenas com um metro de largura, dizendo que nos
levaria direto ao Paraná. Após duas horas e meia naquela sanga
estreita e infindável, alcançamos o nosso Paranazão lindo.
Perguntei os nomes dos lugares para alguma análise posterior, que
nunca fizemos pois aparentemente nada daquilo constava de nossas
cartas: Lago Icuy, a 15 km da Ruta 12, perto de um pueblo chamado
San Isidro. O povoado onde dormimos tinha o bonito nome de
“Estella Maris”. |
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03.05.2004 – ESQUINA - LA PAZ –
Apesar de ressabiados de nos afastarmos do Paraná, deixamos Esquina
seguindo instruções alternativas. Seguimos o Rio Corrientes, que
banha a cidade, continuando pelo riacho Ingá até o Paraná
principal. Logo depois navegamos uns trinta quilômetros pelo riacho
Ingacito, continuando pelo riacho Espinillo, outros trinta quilômetros
até voltarmos ao Paraná, perto de La Paz e já na província de
Entre Rios. |
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04.05.2004 – LA PAZ - HERNANDARIAS
– Preparando-nos para zarpar, perguntei ao Wolfgang que mapa usava
para navegar. Respondeu-me que, demandando um calado bem maior,
preferia só navegar de “carona” seguindo as chatas e navios
paraguaios, pois nenhuma carta era de confiança. Despedimo-nos até
um próximo porto mas não mais os encontramos. Talvez as caronas
tenham demorado a surgir. |
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05.05.2004 – HERNANDARIAS - PARANÁ – A vinte quilômetros saindo de Hernandarias passamos pela cidade de Brugos, onde uma grande placa brinca por localizar-se no quilômetro 666 do rio com a correlação lingüística do nome da cidade com a palavra bruxos. À tardinha atracamos no Club Nautico Paraná, onde nos esperava nosso amigo Jorge Pereyra, o ‘jotapemarine’, empresário local de náutica. O Clube Náutico de Paraná foi o melhor que vimos em toda a viagem. Bonito e organizadíssimo, teve a fortuna de haver sido construído aproveitando o canteiro de obras da construção dos tubos para o túnel Paraná-Santa Fé, sob o rio, em 1967. Diques secos e comportas onde eram feitas as peças do túnel adequaram-se perfeitamente para um clube náutico. O Comodoro, Sr. Buscema, gentilmente recebeu-nos no clube por alguns dias que pretendíamos passar na cidade. Ficamos em um hotel Latino e, ciceroneados pelo Jorge Pereyra, conhecemos as lindas cidades de Paraná e Santa Fé, do outro lado do rio. |
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11.05.2004 – PARANÁ - DIAMANTE – Cedo tiramos o “Paraty Mirim” da água na ‘pluma’ do clube para reparar um pequeno vazamento no duto do eixo da hélice. A eterna luta para ter um barco sequinho. E continuamos a navegação, agora contando com as úteis anotações do Jorge Pereyra nos mapas antigos. Jorge é um grande conhecedor de todo o rio Paraná e de muitos outros da região e até do Brasil, onde também conhece a costa marítima. Outro bom dia de navegação, mas continuando um pouco frio. Em Diamante o guarda da Prefectura indicou-nos o Camping Municipal, num arroio ao lado, para ancorarmos. Um lugar meio ermo mas saímos a buscar um hotel com tudo trancado no barco. À noite na cidade fomos surpreendidos pela visita de um oficial da Prefectura Naval enquanto jantávamos em um restaurante. Queria a confirmação de um dos 13 algarismos do número de registro do barco, que não estava batendo. |
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12.05.2004 – DIAMANTE - ROSÁRIO
– Dia de uma puxada de 115 km, saímos cedo rumo a Rosário. Mas
logo fomos chamados por um oficial da Prefectura, no cais do porto :
queria confirmar o tal número de registro, e aproveitar para dar
uma geral de documentos. |
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13.05.2004 – ROSÁRIO – Passeamos pela cidade, admiramo-nos do preço barato dos cinemas (cerca de R$ 4 a 6). |
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14.05.2004 – ROSÁRIO – Não conseguimos zarpar, pois o dia estava frio, nublado e ventoso. E enquanto preparávamos o barco o vento girou para sul, bem ao longo do rio, sem chance de abrigo nas margens. Mais cinema e aguardar o dia seguinte. |
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15.05.2004 - ROSÁRIO – VILLA CONSTITUICIÓN – Agora
com uns 10° C de frio mas ensolarado e os ventos calmos, situação
que permaneceu durante todo o trecho, fizemos apenas os 48 km
naquele dia e atracamos no Clube Náutico local. |
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16.05.2004 – Domingo – VILLA CONSTITUCIÓN - SAN PEDRO – Saímos com tempo nublado e frio para os 107 km até San Pedro. Apesar de passarmos pelas cidades de San Nicolas, Ramallo e Obligado, entre elas o rio ainda se mostrava selvagem, natural. Chegamos cortando caminho pelo longo riacho San Pedro, numa tarde azul mas bastante fria, o mesmo frio que viria a nos acompanhar até o final. O riacho era calmo e cortava um relevo bastante plano, quase um pampa. Passávamos com as margens gramadas na altura dos nossos olhos, deliciando-nos com o ângulo que muitos bonitos cavalos nos revelava, o céu azul ao fundo. |
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17.05.2004 – SAN PEDRO - ZARATE
( via Rio Baradero ) – Logo na saída de San Pedro entramos no rio
Baradero, junto com um grande veleiro de casco negro, sem bandeiras,
com um casal, provavelmente europeu. |
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18.05.2005 – ZARATE - SAN FERNANDO
( via Canal de Árias e Rio Lujan ) – Continuamos navegando pelo rio
Paraná de las Palmas até a cidade de Escobar, que estranhamente não
constava do mapa. Lá chegando já avistamos de longe o Edmar nos
acenando do cais do porto. Festejou muito o encontro e
continuamos a navegada, virando logo à direita para entrar no Canal
de Árias, de vinte quilômetros de extensão e ligando o Paraná de
las Palmas ao Rio Lujan. |
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19.05.2004 – FINAL – Pela manhã nos
encontramos novamente com o Edmar e fomos de trem até Buenos Aires
para pesquisarmos sobre caminhões brasileiros que pudessem estar
voltando vazios ao Brasil, para retornar o “Paraty Mirim”.
Com pouco tempo para a busca e sem resultados, procuramos um clube náutico seguro e de bom preço para
deixar o barco no seco, deixando para vir buscá-lo no verão com a
carreta, e aproveitando para fazer um turismo mais descansado pelo
Delta do Tigre. |
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