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Um pouco de História |
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FRONTEIRAS EM MOVIMENTO
Não é fácil resumir-se a história do extremo sul do Brasil e da bacia do Prata. A quantidade de variáveis conjunturais torna-a assunto para especialistas e quebra-cabeça para os leigos.
Aparentemente o fato isolado principal naquele conturbado período era o domínio do Rio da Prata ( o delta formado pela foz dos rios Paraná, Uruguai e outros ). A dominação dos dois lados do rio daria a Espanha e Argentina um poder de interesse direto de grande parte da América do Sul :
- Para Portugal, o Império do Brasil e depois a República, o acesso aos rios Paraná e Paraguai significava a única ou melhor ligação com os ricos territórios de Mato Grosso e Goiás, de domínios ainda questionáveis. O rio Uruguai também cortava fronteiras ainda indefinidas. Assim, as "nossas" opções eram o Uruguai ( "Banda Oriental", "Província Cisplatina" ) ser português/brasileiro ou ser independente. A Inglaterra compartilhava do mesmo interesse, por razões comerciais. Desde a fundação de Colônia de Sacramento em 1680 até o Uruguai atual, garantiu-se que o Rio da Prata nunca tivesse as duas margens dominadas por Espanha/Argentina. O fato também viria a definir o domínio sobre as fronteiras mais ou menos atuais do Brasil ( e seu enorme tamanho ). De 1830 a 1850 o Império ainda tinha a abafar insurreições por todo os cantos do território ( Ceará, Pernambuco, Pará, Bahia e Maranhão, todas revoltas populares, e a Guerra dos Farrapos, uma revolta das elites do Rio Grande do Sul ).
- Para o Paraguai aquele acesso era vital à sua própria existência e comunicação com o mundo exterior : ainda hoje a principal via comercial daquele país se dá pelo Atlântico, Rio da Prata, Rio Paraná e Rio Paraguai (que banha Assunção). E haviam os onipresentes interessados em comércios e riquezas : Inglaterra, França e até os Estados Unidos.
As conjunturas : - Antes de tornar-se o país atual, a Argentina foi Vice-Reino espanhol, foi Buenos Aires e Confederação Argentina ( dois países diferentes, o primeiro a região da capital, o segundo as províncias de Entre Rios e Corrientes ). Dois adversários entre si com os quais o Brasil e o Paraguai tinham que lidar para manter a navegação livre. À Espanha/Argentina também interessavam o chaco paraguaio e às contíguas minas do Peru, com acesso em parte pela mesma rota fluvial.
- Em 1808 Napoleão invadiu Portugal e Espanha. Dom João VI e as decisões do reinado mudaram-se para o Brasil. Mas o reinado e as decisões da Espanha foram para a cadeia com Dom Fernando VII. Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, era filha do soberano espanhol aprisionado e interferia na região deflagrada sob a alegação de representar o reino luso-espanhol. Mas a partir de então todos os países hispano-americanos foram declarando suas independências.
As invasões napoleônicas a Portugal e Espanha duraram de 1808 a 1821.
O Uruguai era o território de interesse dos grandes.
Os limites de toda a região eram fronteiras em movimento.
Este foi o tempo em que as famílias do extremo sul do Brasil se formaram. Séculos de guerras, revoluções, batalhas. Confiscos e remoções obrigatórias de suas terras. Décadas de nacionalidades indefinidas entre as invasões. Muitas famílias levadas para o Uruguai lá se estabeleceram. Outras retornaram.
GENEALOGIA : É interessante notar que no período do Uruguai português os
filhos eram registrados com o último sobrenome do pai. Já durante os
anos de parte do Rio Grande sob invasão espanhola o registro era feito
com o nome da mãe, usando-se o sobrenome paterno no meio, ainda que fosse o nome a continuar nos descendentes.
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